Crise psiquiátrica é um assunto que pouco se discute, mas pode surgir a todo o momento, como uma condição difícil de lidar. Diante da necessidade de discutir a temática com profissionais de saúde que atuam nas unidades básicas e hospitalares, com foco nas áreas de serviço social, medicina, enfermagem e psicologia, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), iniciou na terça-feira, 06, o Curso em abordagem e manejo na atenção à crise psiquiátrica. A capacitação seguiu com a primeira turma nesta quarta, 07, e continua nos dias 15 e 16 de dezembro, com a segunda turma.
Presente na ação, a psicóloga Angélica Oliveira Nascimento, que atua no Hospital Regional de Itabaiana falou sobre seu interesse em participar da capacitação, pois entende que saber lidar com o paciente em crise psiquiátrica é imprescindível. “No hospital, normalmente o paciente vem com outro tipo de patologia, outro tipo de doença para ser tratada. Se há uma comorbidade e alguma questão que às vezes é aflorada, pode ser desencadeada no decorrer da hospitalização, e é fundamental saber lidar com alguma condição que possa desencadear uma crise psiquiátrica”, disse.
Foto: Míriam Donald
A profissional também ressaltou que nos últimos meses foi possível perceber muitas crises psiquiátricas, que às vezes podem gerar situações graves. “Esses casos também são efeitos da pandemia, por isso que a gente precisa sempre estar atento e saber como proceder”.
De acordo com a médica psiquiatra e especialista em psiquiatria geral, que atua na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), Ana Angélica Menezes, há o aspecto físico de uma pessoa que está passando por uma crise e não consegue lidar, portanto não é apenas uma questão médica, que pode ser resolvida com alguma medicação. “É necessário conhecer o que o(a) paciente está sentindo, o que está sofrendo. Às vezes a pessoa está sofrendo muito e quer que alguém olhe pra ela, confie nela. Então não é uma situação de fácil manejo, e normalmente não é abordado. Muitas vezes a abordagem ministrada em um curso de psiquiatria é o manejo terapêutico medicamentoso, mas a primeira coisa é tentar estabelecer uma relação de confiança”, destacou.
Ainda de acordo com a especialista Ana Angélica, é muito importante que as pessoas entendam essa condição, pois é uma situação que não ocorre só em hospitais. “Ela surge no ambulatório, na rua, na casa da gente, com o vizinho. Por isso é necessário que a gente compreenda. É fazer o exercício de enfrentar o preconceito, e cuidar como qualquer doença”, pontuou a psiquiatra.
A ouvidoria no Sistema Único de Saúde (SUS) é uma ferramenta essencial para proporcionar credibilidade ao sistema, além do acesso à universalidade e à integralidade às cidadãs e cidadãos. A fim de discutir a temática, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), realizou, nesta terça-feira, 06, uma teleducação sobre importância da implementação das ouvidorias ativas do SUS, voltada a profissionais de saúde que atuam nos municípios sergipanos, além de acadêmicos da respectiva área.
A ação contou com webpalestras ministradas pela biomédica, mestre em Fisiopatologia Experimental, especialista em Saúde Pública, e ouvidora certificada pela ABO, com atuação na Ouvidora Geral do SUS da SES/SP, Patrícia Camargo Ferreira; e do farmacêutico, mestre em Saúde Pública, doutorando em Saúde Coletiva, especialista em Gestão em Saúde, Gestão Pública Municipal e Ouvidoria, e analista de Políticas Sociais do Ministério da Saúde (MS), Rafael Vulpi Caliari.
Foto: Guilherme Gouy
De acordo a assessora técnica da Ouvidoria do SUS/SES, educadora popular em saúde e também mediadora da teleducação, Iara de Sena, o objetivo da ação foi criar uma rede solidária junto às ouvidorias municipais e aos hospitais. “Nossa missão é colocar a equidade em primeiro lugar. Entendemos o cidadão como um ser que necessita ser atendido pelo SUS de uma forma completa, diferenciada, tendo em vista de que cada cidadão tem o seu problema, tem a sua particularidade. Então, a implementação da ouvidoria ativa no SUS é, na verdade, a criação de uma rede entre municípios, hospitais, e a SES, através das áreas técnicas, para que possamos fortalecer ainda mais o SUS no Estado”, destacou.
Entre os assuntos abordados, os facilitadores fizeram um panorama do conceito de ouvidoria ativa, com foco no planejamento e execução, estratégias – ouvidoria itinerante, contato ativo, transparência ativa e pesquisas de satisfação –, e efeitos da ouvidoria ativa, além de um panorama da Ouvidoria Geral do SUS do Estado de São Paulo, bem como os dados estatísticos e estrutura organizacional.
Neste 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids, inicia-se também o Dezembro Vermelho – campanha de conscientização para a prevenção da síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e de outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), além da assistência e proteção dos direitos das pessoas infectadas com o HIV (vírus da imunodeficiência humana). Para discutir a temática junto a profissionais/trabalhadores e acadêmicos de saúde neste início de mês, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), realizou uma teleducação sobre “A epidemia de HIV/AIDS em Sergipe” e o “Cuidado Integral na APS: Da promoção à saúde ao acompanhamento compartilhado das pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA)”.
De acordo com o diretor estadual de Vigilância Epidemiológica em Saúde e doutor em Ciências da Saúde e médico infectologista, Marco Aurélio Góes, é muito importante que a Atenção Primária à Saúde olhe para o território, identifique as vulnerabilidades da população e entenda que é no território que os profissionais podem reconhecer onde estão os riscos e intensificar ações, tanto de prevenção, como de diagnóstico. “Temos a distribuição de teste rápido e diagnóstico para todos os municípios, em todas as unidades básicas. Então em todo local pode ser diagnosticada a infecção pelo HIV. Quanto mais cedo a pessoa descobre que tem HIV e inicia o tratamento, melhor a qualidade de vida e a sobrevida. Por isso é essencial fazer ações de prevenção, mas também as ações de diagnósticos e acompanhamento dos casos”, ressaltou.
Foto: Míriam Donald
Ao abordar sobre a epidemia de HIV/AIDS no estado, a referência técnica do Programa de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, HIV e Hepatites Virais, o médico José Almir Santana fez uma explanação sobre a série histórica (2010-2022), com os números de HIV e Aids em Sergipe, dados dos testes, serviços disponibilizados, divulgação das tecnologias de prevenção, fluxos de trabalho nos serviços oferecidos, ações de incentivo ao uso do preservativo, prevenção combinada, Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), conceitos básicos, recomendações do Ministério da Saúde, e criança exposta.
Na oportunidade, Marco Aurélio também fez um panorama sobre a doença, a necessidade do serviço na APS, Fisiopatogenia e História Natural da Infecção pelo HIV, imunidade, marcadores de progressão da infecção, infecção aguda, Síndrome Retroviral Aguda (SRA), latência clínica e fase sintomática, características e sintomas da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, terapia antirretroviral (TARV), evolução sintética do tratamento do HIV/AIDS no Brasil, Objetivos da TARV em pessoas vivendo com HIV/aids, obstáculos para a cura, e barreiras de acesso.
Para instrumentalizar e qualificar os(as) coordenadores(as) dos Centros de Atenção Psicossocial de (CAPS), a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), iniciou, nesta quarta-feira, 30, o Curso de Gestão em Saúde nos CAPS. Com seguimento nesta quinta, 1º de dezembro, a capacitação aborda, principalmente, a gestão do cuidado e do serviço na rede de atenção à saúde, com o objetivo de aprimorar os processos de gestão.
Presente na capacitação, a coordenadora do CAPS do município de Japoatã, Fernanda Cardoso, destaca o trabalho e os desafios enfrentados no dia a dia da Rede de Atenção Psicossocial, além da importância de uma capacitação contínua e de trocas com referências que possuem experiência no serviço. “Enxergo essas capacitações como um bote, quando estamos no mar e precisamos de ajuda. Na primeira palestra, por exemplo, a facilitadora Renata falou um pouco sobre a importância do matriciamento (processo de construção compartilhada que cria propostas de intervenção pedagógico-terapêutica) e do PTS (Planejamento Terapêutico Singular), que é algo que precisamos dar ainda mais qualidade nesse processo. Estamos trabalhando isso com a Secretaria Municipal de Saúde, quando vamos discutir e encaminhar os casos, e para além disso, cuidar e administrar a situação em conjunto”.
Foto: Míriam Donald
Nos dois dias de atividade, a ação ministra exposições dialogadas, com temáticas sobre “Gestão de Rede de Saúde”, “Planejamento e Monitoramento de Ações em Saúde”, ‘Operacionalização de Sistemas de Saúde”, “Criação dos Centros de Atenção Psicossocial”, “Função da Coordenação de CAPS”, “Gestão de Recursos humanos e perfil do coordenador”, além de dinâmicas de grupo e discussões sobre a dinâmica de acolhimento e avaliação de cada dia de capacitação. De acordo com a facilitadora da ação e coordenadora estadual de Assistência Ambulatorial, Renata R. Buarque Coutinho, é essencial ter atividades permanentes de qualificação dos profissionais e gestores, para que eles aprimorem o seu processo de trabalho.
Com abordagem sobre o olhar da rede de atenção, Renata falou que às vezes o foco está concentrado no lugar onde eles estão, mas há pontos de atenção dentro dessa rede, daí a necessidade de comunicação com esses pontos: a Atenção Primária, Atenção Hospitalar, e da necessidade de organizar o modelo de atenção, que fica muito voltado aos eventos agudos. “Precisamos voltar nossa atenção para as condições crônicas, e a saúde mental entra nisso, porque é uma condição que muitas vezes é longa ou permanente, que exige diferentes estratégias, recursos terapêuticos diferenciados. Então é preciso organizar o sistema de saúde no qual atuo, para atender essa condição. Enquanto um(a) coordenador(a) de CAPS, preciso ter essa compreensão para conseguir administrar dentro do meu território”, ressaltou.
Foto: Míriam Donald
Segundo a referência técnica da Rede de Atenção Psicossocial Especializada/DAEU, Suely Matos, a proposta é instrumentalizar e empoderar esses coordenadores para otimizar a gestão do cuidado e do serviço na Rede de Atenção Psicossocial do município, dentro da Rede de Atenção à Saúde. “Estamos fazendo um processo de ruptura de modelo de atenção às pessoas com transtornos mentais ou sofrimento, e que têm problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Essa ruptura de modelo também pede para que a gente possa se estruturar dentro dos instrumentos de gestão do SUS e dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial no Estado de Sergipe”, informou.
A Fundação Estadual de Saúde (Funesa) marcou presença no 13º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, promovido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), no período de 19 a 24 de novembro, em Salvador (BA), cujo tema foi “Saúde é democracia: diversidade, equidade e justiça social”. Participaram da agenda a diretora geral da Funesa, Lavínia Aragão, a assessora especial da Diretoria Geral/Funesa, Daniele Travassos, e a coordenadora no Núcleo de Produção Científica da Funesa, Sheilla Barroso.
Na oportunidade, a gestora Lavínia Aragão participou da Mesa Redonda “A Política Nacional de Educação Permanente como ideia, proposta, projeto e processo e as estratégias de reorganização dos modelos de atenção à saúde”, como expositora, a convite da presidente do Congresso, Isabela Cardoso.
O evento também contou com atividades pré-congresso nos dias 19 e 20 de novembro, a exemplo da reunião da Câmara Técnica de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), da qual a diretora Lavínia é membro titular. A agenda teve o objetivo de realizar uma avaliação das atividades desenvolvidas neste ano, além de iniciar o trabalho de elaboração do planejamento das ações para 2023.
O Congresso buscou fomentar debates, para o estímulo a reflexões e propostas que possam ser incorporadas à agenda da Saúde, da Educação e da Ciência e Tecnologia dos próximos governos, seja Federal ou Estaduais, de modo a contribuir para a reconstrução e redirecionamento das políticas públicas relevantes e estratégicas para o Brasil.
A V Jornada Estadual da Prematuridade, III Webinário Internacional da Prematuridade, IV Encontro Norte e Nordeste de Perinatologia, e VIII Seminário da Unidade Neonatal “Carline Rabelo de Oliveira”, cujo tema deste ano é “O percurso neonatal de qualidade”, iniciou nesta quarta-feira, 16, com o Workshop “Estratégias para avaliação e redução do estresse de bebês, pais e profissionais em unidade neonatal”, que ocorreu em formato virtual. A ação, que segue até esta quinta-feira, 17, é realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), através da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), tem o objetivo de abordar as boas práticas utilizadas no cuidado, na assistência à prematuridade, aos bebês que fazem parte do dia a dia profissional.
O workshop foi ministrado pela assessora e consultora do Método Canguru do Ministério da Saúde (MS), a enfermeira e especialista em Neonatologia Sandra Regina de Souza Vogler, que também é doutora Ciências pelo Programa de Pós-Graduação Enfermagem em Saúde Pública da EERP/USP, mestra pela UNIFESP, e membro do United States Institute for Kangaroo Care (USIKC), dos Estados Unidos (EUA). De acordo com a palestrante, o estresse atinge os indivíduos de qualquer idade e pode causar danos irreversíveis, por isso é importante conhecer o efeito que ele desempenha em diferentes fases da vida, bem como as estratégias para reduzir o impacto deste na saúde.
A consultora do Ministério da Saúde afirma que, na unidade neonatal, bebês pré-termo e a termo, mães, pais, famílias, e equipe também são submetidos a estressores diariamente. “O seminário orientou profissionais sobre esses estressores, com a oferta de ferramentas para a avaliação do estresse, além de propor soluções para o problema, tanto de forma preventiva, como curativa. O evento também trouxe propostas do Programa Método Canguru para garantir o melhor cuidado para bebês, família e equipe”.
A V Jornada Estadual da Prematuridade teve um início em 2015, ainda com o Seminário da Unidade Neonatal ‘Carline Rabelo de Oliveira’, da MNSL, e a ideia é fomentar informações por meio dos palestrantes, além de abordar sobre evidências e o que está em discussão na comunidade científica, segundo explica a gerente da UTI Neonatal da MNSL, a enfermeira Monique Daniela Cabral. “O objetivo do workshop é contextualizar a metodologia Canguru, que é a parte do stress relacionado tanto aos bebês, como às suas famílias e aos profissionais de saúde. Por isso esse workshop é uma prévia do evento”.
Para a gerente Monique, a assessora Sandra Vogler está ligada à Maternidade, que é referência estadual do Método Canguru. “Ela explana não só as evidências locais, as evidências do Brasil em relação a esse cuidado, mas também as evidências internacionais. A experiência dela nos Estados Unidos, como profissional, é muito grande, é vasta, e conseguimos, em tempo real, acompanhar e também modificar as nossas práticas assistenciais para o melhor cuidado que podemos proporcionar”, ressaltou.
Nesta quarta também aconteceram mais quatro workshops que fazem parte da Atenção Especializada, tanto da parte da obstétrica, como da parte neonatal, com os temas: “Tecnologia na assistência ao alto risco materno: Cardiotocografia”; “Segurança alimentar no pré-termo”; “Tecnologias na assistência de enfermagem ao neonato de risco”; e “Atualização em acesso vasculares – Tecnologias Seguras”. Todos esses acontecem em formato presencial, na Universidade Tiradentes – campus Farolândia.
Agora Sergipe tem uma revista técnico-científica para disseminar saberes, práticas e produção científica: a Revista Sergipana de Saúde Pública, periódico criado pela Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES). O lançamento aconteceu na noite da quarta-feira, 09, com uma solenidade no Museu da Gente Sergipana. Com versão digital e impressa, a produção tem como foco tornar-se espaço de atualização constante para os profissionais do SUS, que operam e estudam o Sistema Único de Saúde em Sergipe e em todo país, além de ser um instrumento significativo de divulgação da produção técnico-científica e instrumento de conhecimento para estudantes, trabalhadores e gestores que atuam na área de saúde.
De acordo com a secretária de estado da Saúde, Mércia Feitosa, essa é uma iniciativa muito potente para o fortalecimento do SUS. “O dia de hoje é de extrema felicidade, pois estamos realizando um sonho. Pra quem é sanitarista, presenciar a concretização da primeira Revista Sergipana de Saúde Pública, que vai contribuir para o fortalecimento do SUS, a noite de hoje é um marco. Principalmente quando a gente visualiza a oportunidade dos trabalhadores e os pesquisadores utilizarem a revista como meio de divulgar seus trabalhos e conhecimento”, destacou.
Foto: Flávia Pacheco
Presente no evento, o reitor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Valter Santana, destacou que o avanço e a qualificação dos serviços de saúde são obtidos através da transmissão do conhecimento. “Com a Revista Sergipana de Saúde Pública, nós teremos a oportunidade de fazer com que as pesquisas aqui desenvolvidas, aquele novo conhecimento produzido aqui, em prol da melhoria dos serviços de saúde, sejam disseminadas por toda a sociedade, por toda a comunidade, qualificando a assistência para que os serviços ofertem melhores condições, um melhor aparato tecnológico e um conhecimento novo que será aplicado em benefício da população sergipana”.
Para o professor do curso de Medicina da Universidade Tiradentes (UNIT), André Baião, essa realização é um marco histórico para a sociedade sergipana como um todo, pois as universidades poderão divulgar o seu trabalho, participar de todo esse processo, e devolver para sociedade um pouco do que elas pesquisam. “O ensino, pesquisa e extensão andam juntos. A Unit fica muito feliz, pois os alunos podem publicar, fazer ciência, produzir para a sociedade, e isso é muito importante. Para o SUS é muito enriquecedor ter a pesquisa local contribuindo para a construção do sistema, do seu aperfeiçoamento”, ressaltou.
A revista chega para a população, não só para os trabalhadores do SUS e usuários, mas para toda a comunidade, principalmente a comunidade científica, segundo explicou o diretor de Vigilância Epidemiológica da SES, o médico infectologista Marco Aurélio Góis, que tem artigo publicado na revista. “A Revista Sergipana de Saúde Pública traz para o trabalhador, para o estudioso, para a academia, essa importância que é comunicar seus resultados. Comunicar um produto científico, um produto qualificado, um produto que pode ser disseminado, utilizado por outros pesquisadores. Então, a revista traz essa relevância de fazer trabalhando ciência. E com a ciência, é possível aperfeiçoar o trabalho das pessoas”.
Editora-chefe da Revista e coordenadora no Núcleo de Produção Científica da Funesa, Sheilla Barroso afirmou que a revista tem, dentro da sua lógica de construção, experiências exitosas que os profissionais da saúde produzem no seu dia a dia. “Normalmente essas práticas não são divulgadas, não são apresentadas em espaços onde eles podem divulgar seus trabalhos e a prática diária que eles possuem: a expertise, uma técnica que eles desenvolvem e que, às vezes, fica só naquele ambiente de trabalho. Então, outras pessoas podem aproveitar essas técnicas, e o SUS, por sua vez, pode desenvolver essas práticas de maneira ampla”.
Ainda de acordo com Sheilla, a revista publica evidências que, na prática diária desse profissional, muitas vezes só fica naquele ambiente. “A divulgação dentro de um periódico abrange muito mais do que apenas uma equipe. No caso, pode abranger vários profissionais, não só do estado de Sergipe, mas de outros estados, de forma que as evidências científicas possam fundamentar alguma teoria ou algum tipo de tratamento para a população que utiliza o SUS, a exemplo do tratamento para uma doença neurológica, tratamento da diabetes, ou da hipertensão. Então, há uma construção de evidências que podem ser utilizadas em melhores tratamentos para a população”, pontuou.
Anfitriã do lançamento, a diretora geral da Funesa, Lavínia Aragão, falou sobre a satisfação desse momento tão esperado por tantos trabalhadores e gestores que atuam no dia a dia dos demais cenários de prática do SUS. “Essa revista representa a possibilidade de um instrumento potente, técnico-científico, que vai ter como a sua grande missão disseminar conhecimentos, vivências, experiências, saberes e evidências científicas, para que a gente, através do SUS, possa qualificar esses trabalhadores, para que eles continuem implementando e fortalecendo as suas práticas diárias. Para nós, que atuamos no SUS, a revista foi uma grande realização. Em alguns momentos, parecia um sonho distante, e que graças ao envolvimento e engajamento de tantas pessoas, a gente está aqui, hoje, comemorando esse momento, festejando, celebrando esse SUS que muito faz, que salva vidas, e que também produz ciência”, frisou a gestora.
Conceito da marca e identidade
No pré-lançamento, ocorrido em maio, foi apresentado o conceito da revista, a exemplo de critérios de criação, identidade visual e demais elementos que compõem a marca, que tem o objetivo de integrar conhecimento. Os elementos compõem partes geométricas que formam uma estrutura maior, e a ideia representa a junção de conhecimento que se interliga, disposto na capa da revista, além de componentes da cultura sergipana. Na parte interna, a intenção foi retratar a ideia de povo, como a população interage na construção do conhecimento, como parte integrada na área da saúde, visto que os profissionais trabalham para a manutenção da vida da população.
A identidade da Revista Sergipana de Saúde Pública traz, na sua dimensão estética, a representação de marcos da cultura sergipana, em um recorte da memória histórica e cultural que se fará presente ao longo de todas as suas edições, garantindo a essência da sergipanidade em cada edição a ser publicada. Com o intuito de trazer essa sensação de pertencimento, foi escolhida a técnica de ilustração para dar suporte a esse conceito. Nessa primeira edição, a ilustração é composta pela cachoeira de Macambira e a figura que representa o Cacique Serigy, líder indígena que viveu no século XVI, na região atual do estado de Sergipe.
Linha editorial
O periódico adota linha editorial com escopo direcionado à compreensão das diversas interfaces do campo da saúde pública e se propõe a divulgar pesquisas dos mais variados temas dessa área do conhecimento, com a publicação de artigos atuais e inéditos de autores brasileiros. Trata-se de produção semestral revisada por pares, com artigos originais, artigos de revisão e descrição de experiências.
A RSSP conta com um Conselho Editorial composto de professores da ESP e de outras instituições de ensino do país e internacionais. Técnicos renomados do SUS e da própria instituição SES Sergipe; editora-chefe; editora assistente; e uma equipe de editores associados responsáveis pelos conteúdos publicados e pelo respaldo técnico; os membros pareceristas, especialistas em vários campos da saúde pública, que participam das avaliações por pares.
O Dia Mundial e Nacional do Diabetes é lembrado em 14 de novembro. Em alusão à data e à relevância da causa, a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe e da Coordenação de Promoção e Prevenção à Saúde (Copps), em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), realizou nesta terça-feira, 08, às 8h, uma ação educacional com o tema “Acesso aos cuidados do Diabetes, ele pode chegar sem fazer barulho. A informação dá voz ao tratamento”.
Direcionada a coordenadores municipais da Atenção Primária à Saúde (APS) e profissionais de saúde, o evento contará com três webpalestras: “Acesso aos cuidados do Diabetes”, ministrada pela referência técnica de Prevenção e Diabetes da SES, Eline Rocha; “Papel da Atenção Primária no cuidado com o pé diabético”, ministrada pela secretária de Saúde do Município de Santa Rosa de Lima, a enfermeira e educadora em Diabetes, Luana Ferreira de Menezes; e “Orientações básicas sobre alimentação para o paciente diabético”, ministrada pela nutricionista que atua no Serviço de Especializado de Medicina e Saúde do Trabalho (SESMT), Juliana de Goes Souza.
Na oportunidade, Eline Rocha apresentou um panorama sobre a diabetes, com foco no diagnóstico precoce, fatores de risco, principais sinais e sintomas, o papel da Atenção Primária à Saúde (APS), e dados sobre a incidência da doença, além de abordar sobre a importância dos usuários da APS no acesso à informação. “É muito importante fazer a promoção, a prevenção e o diagnóstico precoce da doença, que podemos fazer habilmente na APS. Também abordamos como os profissionais podem iniciar esse atendimento na nutrição, pois a alimentação inadequada é um fator de risco”, disse.
Foto: Alliston Santos
Ao abordar sobre o pé diabético, a secretária de Saúde de Santa Rosa de Lima (SE), Luana de Menezes destacou que o pé diabético está entre as complicações mais graves da diabetes mellitus e que acomete cerca de 10 a 25% dos portadores da diabetes mellitus. “Hoje temos um grande número de pessoas acometidas com diabetes, inclusive que não sabem. Há um índice muito alto para as instituições de saúde e ainda tem a problemática das pessoas que são acometidas como pré-diabéticos”.
Ainda de acordo com a gestora, “é tratar da saúde física, psicológica/mental desse paciente, pois ele deixa de ter o que pra ele seria mais importante, o membro inferior, que faz essa pessoa se locomover e ter uma determinada independência. As pessoas precisam buscar as Unidades Básicas de Saúde para fazer os seus exames de rotina e ter seu diagnóstico mais preciso e, a partir daí, realizar o seu tratamento de acordo com a necessidade”, afirmou a secretária.
A nutricionista Juliana de Goes Souza informou que a equipe da Saúde realiza esse trabalho de prevenção às doenças, de acompanhamento dos funcionários da saúde, com atos de prevenção e de promoção da saúde, para evitar o adoecimento do trabalhador, e, nesse sentido, a alimentação saudável é um dos pilares, juntamente à prática de atividade física ou com os outros acompanhamentos. “A palestra teve o objetivo de instruir esses profissionais de saúde, que atendem na APS, a saber orientar os portadores de diabetes, para que eles possam conduzi-los de uma forma que passem a ter mais qualidade de vida, e a saber orientá-los para que a gente consiga tratar esses pacientes de uma forma melhor, evitando que eles congestionem os hospitais com quadros de complicações derivadas do diabetes”.
Foto: Alliston Santos
Ainda de acordo com Juliana, é importante desmistificar o Diabetes, pois as pessoas têm medo quando descobrem o diagnóstico do diabetes. “É preciso saber que não há um alimento específico para um paciente diabético. O que eles precisam é ter mais equilíbrio e moderação no consumo dos alimentos. Os alimentos que eles vão consumir são os alimentos que pessoas que não têm diabetes também consomem, mas é necessário saber a qualidade desses alimentos. Costumo orientar os pacientes diabéticos para que utilizem mais alimentos in natura, ou seja, consumam comida de verdade e desembalem menos, consumam menos produtos industrializados e mais produtos naturais”, ressaltou.
Juliana também pontuou que Sergipe tem uma agricultura muito vasta, o que proporciona um acesso mais fácil a frutas e verduras, que faz o controle da glicemia desse paciente. “Com o consumo de fibras, há o controle da glicemia, o controle do colesterol. Importante optar por alimentos integrais, fazer o consumo de arroz integral, macarrão integral, além de outras fibras, como aveia. Aconselho não ter medo de comer, entretanto é preciso respeitar a quantidade, os horários, não ficar muito tempo sem se alimentar. Isso tudo é positivo para o paciente diabético”.
Dados
O diabetes, é uma condição crônica de alta prevalência no mundo, cuja incidência deve aumentar de forma importante nas próximas décadas, estimando-se um crescimento dos atuais 537 milhões para 783 milhões de pessoas até 2045. O Brasil ocupa atualmente a 6º posição em número de casos, com cerca de 16 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos, cerca de 90% dos casos de DM são Diabetes do tipo 2.
O foco da Saúde Estadual é a assistência ao paciente. Foi com essa ideia que a Secretaria Estadual de Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), realizou nesta quinta-feira, 13, a capacitação em Assistência ao Paciente Crítico: manuseio, transporte e Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP). O objetivo é capacitar equipes multiprofissionais, como enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas que trabalham no atendimento ao paciente crítico em ambiente intra-hospitalar. A ação também acontecerá nos dias 20 e 25 de outubro.
A programação, que ocorrerá durante quatro dias, conta com as seguintes abordagens: Como reconhecer o paciente crítico de trauma e/ou clínico? E uso de medidas iniciais para intervenção eficaz; Princípios do transporte seguro; Reconhecimento da parada cardiorrespiratória, Medidas de ressuscitação cardiopulmonar conforme protocolo AHA; Protocolo de atendimento e avaliação de paciente simulado.
A capacitação ocorre porque os profissionais da rede estadual de saúde, que recebem pacientes em estado crítico, necessitam compreender as práticas de assistência a esse tipo de paciente, pois em alguns casos o manejo com a demanda pode ser modificado.
Foto: Míriam Donald
Com a qualificação dessas equipes multiprofissionais ocorrerá um melhor atendimento a esse usuário. Isso resulta em uma recuperação mais rápida e sem intercorrências decorrentes de um atendimento que confronte a proposta assistencial de qualidade e humanizada, características essenciais dos serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Outubro Verde é uma campanha que promove conscientização sobre a Sífilis Congênita, com foco nas formas de prevenção, diagnóstico e tratamento da patologia. A causa é alusiva ao Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita (transmitida da mãe para o feto), instituído pela Lei nº 13.430, de 31 de março de 2017, no terceiro sábado de outubro, anualmente. Para abordar a doença e o cenário epidemiológico em Sergipe, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), por meio do Telessaúde Sergipe, realizou, nesta terça-feira, 11, uma webpalestra sobre o tema.
Voltada a profissionais da Rede de Atenção à Saúde e acadêmicos dos cursos de Enfermagem e Medicina, a ação contou com a participação de mais de 42 municípios de cinco estados brasileiros. A teleducação contou com palestras sobre o “Cenário Epidemiológico da Sífilis em Sergipe”, “Manejo clínico da sífilis durante o pré-natal” e “Qualificação da assistência à gestante, puérpera e criança com sífilis na atenção primária à saúde”.
A SES entende que a Sífilis Congênita tem sido um desafio, tanto para a Vigilância Epidemiológica, como para a assistência, pois registrou-se um aumento de casos de sífilis, com transmissão de sífilis ano a ano, mas a grande preocupação é a transmissão materno-infantil, a transmissão vertical. Diante do fato, a Vigilância em Saúde/SES mostrou dados estaduais que mostram esse aumento do número de casos de Sífilis Congênita e que esse número pode diminuir com a melhoria na qualidade do Pré-natal, a fim de que os profissionais atualizem e aperfeiçoem suas práticas nessa assistência.
Foto: Míriam Donald
Sobre o cenário epidemiológico em Sergipe, foi abordado: Casos de sífilis adquirida, de sífilis em gestantes e de sífilis congênita, segundo ano de diagnóstico – Sergipe, 2007 a 2021; Número de casos e taxa de detecção de Sífilis Adquirida (por 100.000 habitantes), por ano de diagnóstico; Distribuição anual da proporção de casos de Sífilis Adquirida por sexo. Sergipe; Distribuição percentual da faixa etária dos casos de Sífilis Adquirida; Distribuição espacial da taxa de incidência de Sífilis Adquirida (por 100.000 habitantes), por quinquênio de diagnóstico; e Distribuição proporcional da classificação clínica dos casos de sífilis em gestantes por ano de diagnóstico.
Também foi abordado: Distribuição espacial da taxa de detecção de Sífilis em Gestantes (por 1.000 nascidos vivos), por quinquênio de diagnóstico; Número de casos e taxa de incidência de Sífilis Congênita (por 1.000 nascidos vivos), por ano de diagnóstico; Distribuição espacial da taxa de incidência de Sífilis Congênita (por 1.000 nascidos vivos), por quinquênio de diagnóstico; Distribuição percentual anual do relato de realização de pré-natal materno na gestação dos casos de Sífilis Congênita; Distribuição percentual anual do momento em que foi realizado o diagnóstico materno de sífilis dos casos de Sífilis Congênita; e Distribuição percentual anual do tratamento materno dos casos de Sífilis Congênita.
Dentre outros assuntos, estiveram: Necessidade de intervenções em diferentes níveis de Atenção à Saúde e em diferentes momentos do ciclo de vida; classificação; testagem das gestantes; interpretação de testes imunológicos; tratamento para Sífilis em gestantes; monitoramento; critérios de definição de sífilis em gestante; casos clínicos. Dentre outros assuntos abordados: conceito; prevenção da transmissão vertical; e Puericultura: seguimento da criança exposta ou com diagnóstico de sífilis congênita.