Webpalestra sobre Protocolo Clínico da Raiva alerta sobre a importância de monitoramento constante

A Raiva é uma zoonose que possui quase 100% de letalidade, uma vez que os sintomas se manifestam. A transmissão ocorre por meio de contato com saliva de mamíferos infectados, a exemplo de gatos, cachorros e morcegos, os mais frequentes. Para tratar sobre a atualização do Protocolo Clínico da Raiva, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), realizou, nesta quinta-feira, 12, uma webpalestra voltada a médicos(as) e enfermeiras(os) da Atenção Primária à Saúde (APS) e hospitais, coordenadores da Vigilância Epidemiológica e coordenadores da APS.

Foto: Guilherme Gouy

A vacinação de animais domésticos muda a epidemiologia da transmissão, determinando uma maior participação de animais silvestres nos casos notificados. Ao ministrar palestra sobre o Programa de Controle de Vigilância da Raiva, a médica veterinária e referência técnica dos Programas Estaduais de Vigilância e Controle da Raiva, Doença de Chagas, Leptospirose, Febre Amarela e Acidentes por Animais Peçonhentos/SES, Ana Paula Barros, abordou sobre a situação epidemiológica no Brasil e no mundo, bem como o panorama da vigilância.

De acordo com a profissional, é uma discussão extremamente necessária, uma vez que a doença mudou o perfil, visto que nos anos anteriores havia o cão e o gato como os mais importantes na transmissão. “Com a vacinação, baixamos esse nível. Hoje temos um cenário onde os últimos casos da raiva foram identificados em animais silvestres. Então, é muito importante o monitoramento desses animais para tentarmos combater essa zoonose fatal, uma vez que, nos cães e gatos, ela está controlada através da vacinação. Porém, como nos animais silvestres não existe vacina, é preciso o monitoramento constante, para evitar a propagação do vírus”, explicou Ana Paula.

O médico infectologista e diretor da Vigilância Epidemiológica da SES, Marco Aurélio Góes, alertou sobre como reconhecer o tipo de acidente, se foi leve ou grave, e que medida deve ser tomada, além da limpeza com água e sabão – ou seja, se é necessário tomar apenas a vacina, ou, além da vacina, tomar o soro (antirrábico). “Raiva é uma doença altamente fatal. Quando a pessoa acometida pela raiva sobrevive, fica com muitas sequelas. Por isso é fundamental que a gente faça esse atendimento antirrábico, conforme as bases científicas e o novo protocolo que está sendo aplicado no Brasil”.

Ainda segundo Marco Aurélio, com as mudanças recentes no protocolo nacional de atendimento, as pessoas que estão expostas ao risco, que tiveram contato com algum animal que possa transmitir raiva – cão, gato, mico, raposa, cachorro do mato, gato do mato, além dos animais criados para consumo (gado bovinos e gado equino) –, também podem ser afetadas. “Apesar de Sergipe não ter casos atuais de raiva, é necessário que a gente intensifique o cuidado, pois em caso de acidente antirrábico, as providências sejam tomadas de imediato”, disse.

O acidente antirrábico é de notificação compulsória. Toda pessoa que leva mordida, arranhão ou tem contato com a secreção de animais potenciais transmissores, precisa ser notificada, mas a conduta imediata é muito importante. “É necessário que os profissionais alertem as pessoas que passarem por algum risco, o primeiro ato é lavar a região com água corrente e sabão, por cerca de 15 a 20 minutos, pra tentar eliminar a presença do vírus daquela localidade”, ressaltou Marco Aurélio.

Assuntos abordados

Entre os assuntos abordados por Marco Aurélio estiveram: casos clínicos; conceito; agente etiológico; reservatório; modo de transmissão; período de incubação; período de transmissão; suscetibilidade, vulnerabilidade e imunidade; manifestações clínicas; sinais e sintomas dos casos de raiva humana no Brasil; complicações; Nomenclatura dos imunobiológicos utilizados na rede do SUS; volume da dose e local da administração da IGHAR (Imunoglobulina Humana Antirrábica) e do SAR (Soro Antirrábico); definição de profilaxia antirrábica humana em casos de agressões por animais silvestres; mamíferos silvestres; e definição de profilaxia antirrábica humana em acidentes por animais de produção.

O infectologista também explanou sobre profilaxia antirrábica humana em casos de agressões graves por cães ou gatos; definição de animal observável; administração da vacina antirrábica (inativada) na profilaxia pré e pós exposição; reexposição ao vírus da raiva; Procedimento utilizado na profilaxia de reexposição de acordo com a via de administração Intradérmica (ID) ou via Intramuscular (IM); profilaxia de pacientes faltosos; esquema para profilaxia da raiva humana pós-exposição – condutas em possíveis exposições ao vírus da raiva; condutas por tipo de exposição e animal agressor; e sínteses de atualizações.

Ana Paula Barros discorreu sobre taxas de mortalidade de raiva humana por tipo de animal; importância da raiva Silvestre; profilaxia antirrábica humana; profilaxia antirrábica humana pós exposição e espécie envolvida; registro de cães e gatos positivos para raiva – Brasil (1999 a 2021); epizootia raiva canina em Corumbá/MS e Ladário e caso de raiva humana; estratégias de vacinação massiva; registros de animais silvestres positivos para a raiva; registros de raiva em bovinos, equinos e outros animais de produção – Brasil; caracterização antigênica; registros de raiva em canídeos domésticos; boletim epidemiológico; e o panorama da raiva em Sergipe.

Protocolo Clínico das Leishmanioses: webpalestra discute fortalecimento das medidas de prevenção e controle

Foto: Míriam Donald

Fortalecer as medidas de prevenção e controle e, principalmente, o diagnóstico precoce. Esse foi o objetivo da webpalestra desta terça-feira, 10, que abordou sobre Atualizações do Protocolo Clínico das Leishmanioses, com foco na qualificação das equipes de saúde. Realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), por meio do Telessaúde Sergipe, a tele-educação destacou a necessidade de identificar casos desde o início, para que os pacientes tenham um tratamento oportuno, de forma a evitar óbito.

Ao ministrar temáticas que envolvem o Programa de Vigilância e Controle das Leishmanioses Visceral e Tegumentar, a médica veterinária, especialista em Gestão em Saúde Pública e da Família, e em Vigilância em Saúde, mestre em Ciências Aplicadas à Saúde e referência técnica dos Programas de Vigilância e Controle das Leishmanioses, Malária e Febre Amarela da SES, Rita de Cássia C. Castro Teles, destacou que o diagnóstico precoce contribui para um tratamento oportuno dos pacientes, de forma a evitar óbitos. “É muito importante fortalecer a integração entre a Vigilância e a Atenção Primária, as ações de educação permanente e de educação em saúde, para que a gente possa, de fato, realizar um controle mais eficiente das leishmanioses”.

De acordo com a profissional, os casos continuaram aparecendo, mas devido à pandemia da covid-19, as equipes de saúde perceberam que houve redução da detecção dos casos, pois a prioridade era o combate ao coronavírus. “Agora, os municípios estão retomando essas estratégias e, mesmo se não tivéssemos uma ação mais específica dos municípios, durante a pandemia continuamos a tratar esses casos, mas os casos mais graves, em ambiente hospitalar. Precisamos focar na mudança desse contexto; fazer mais diagnósticos precoces, antes de uma hospitalização. Esse é o foco”, ressaltou Rita de Cássia.

A palestra também contou com explanação do médico infectologista e diretor da Vigilância Epidemiológica da SES, Marco Aurélio Góes, e da mediação da enfermeira, com graduação em Biologia, especialista em Vigilância Ambiental e em Vigilância de Surto e gerente do Núcleo de Endemias da DVS/SES, Sidney Sá.

Assuntos abordados

Entre os assuntos abordados, o infectologista Marco Aurélio Góes discorreu sobre conceitos; classificação biológica; ciclo de transmissão; imunopatogenia; doença espectral, leishmaniose visceral humana; doença metaxênica; agente etiológico, vetores; reservatório doméstico; infecções clínicas; exames; critérios de gravidade; diagnóstico diferencial; diagnóstico laboral; demonstração do parasito; métodos imunológicos; biologia molecular; tratamento; Indicações do MS para uso da Anfotericina Lipossomal.

Marco também abordou sobre: escore de gravidade para maiores de dois anos e para menores de dois anos; solicitação de medicamento; resposta ao tratamento; critérios de cura; leishmaniose tegumentar americana; principais espécies no Brasil; imunopatogênese da leishmaniose tegumentar; polarização da leishmaniose tegumentar; diferenças entre as formas clínicas da leishmaniose tegumentar; forma cutânea (localizada, disseminada, difusa e mucosa); esquema terapêutico preconizado para as diversas formas clínicas de LTA; Uso da Miltefosina na LTA; esquema posológico; etapas do tratamento; efeitos indesejáveis da Miltefosina; contraindicações; e mulheres em idade fértil.

Já rita de cássia discorreu sobre o programa de vigilância e controle das leishmanioses visceral e tegumentar, com abordagem sobre: características gerais; vigilância epidemiológica; estratificação de risco; situação epidemiológica de sergipe; avaliação das ações; programação anual de saúde 2022; organização dos serviços de saúde para o atendimento dos casos humanos; e fluxo dispensação medicamento.

 

 

Trabalhadores da Funesa realizam primeira doação de sangue coletiva pós-pandemia

Foto: Míriam Donald

Solidariedade, coletividade, humanização. Foi dessa forma que os trabalhadores da Fundação Estadual de Saúde (Funesa) se mobilizaram para realizar a primeira doação de sangue em situação de pós-pandemia. Operacionalizada pela Coordenação de Promoção e Prevenção à Saúde (Copps) da Fundação, em parceria com o Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), a ação teve o objetivo de incentivar os trabalhadores acerca da importância da doação, além da conscientizá-los, junto à população, sobre a manutenção do estoque do banco de sangue.

Responsável por coordenar a equipe do Hemose, o enfermeiro Roney Bantim afirma que a parceria entre o Hemose e as instituições/empresas é de grande valia, sobretudo porque é costume os estoques de sangue estarem no limite. “Por isso buscamos doadores através da coleta externa. Essas parcerias se estendem a entidades em vários municípios. Aqui em Aracaju, já fizemos parcerias com empresas, escolas, organizações, etc. Com a Funesa, é uma parceria de grande relevância, com funcionários que aderem à causa, o que torna a ação muito produtiva. Por ser uma sexta-feira, pois o Hemose não funciona todos os sábados, essa coleta vai ajudar na reposição dos nossos estoques para as necessidades do fim de semana”.

Segundo a coordenadora de Promoção e Prevenção à Saúde (Copps) da Funesa, Sandra Ribeiro, a iniciativa surgiu para contribuir com o abastecimento do banco de sangue do Hemose, que sofre baixas desde o início da pandemia de covid-19. Além da participação na agenda, a proposta é fomentar a doação regular. “É uma forma de contribuir com o Hemose e toda a rede, bem como ajudar quem precisa. Encontramos trabalhadores encantados com a simplicidade da ação: atendimento ágil, sem dor, e muito humanizado. Plantamos a sementinha, e penso que hoje nasceram muitos potenciais doadores permanentes. É isso que a Política de Prevenção preconiza, o ‘trabalho de formiguinha’”, ressaltou.

 

 

Webpalestra sobre o uso racional de medicamentos discute impactos clínicos, humanísticos e econômicos

Foto: Míriam Donald

“No Brasil, mais de 77% das pessoas se automedicam por influência de várias, sobretudo por influência da mídia. Às vezes, o principal interesse é a venda, por exemplo”. A afirmação da farmacêutica, mestra em Ciências Farmacêuticas, doutoranda em Ciências da Saúde, e pesquisadora do LEPFS, Fernanda Valença Feitosa, alerta para o uso racional de medicamentos, tema abordado na tele-educação desta quinta-feira, 05, que discutiu sobre conceito, impactos clínicos, humanísticos e econômicos que envolvem a causa. Promovida pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP/SE), por meio do Telessaúde Sergipe, a webpalestra ocorreu em alusão ao Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos.

Voltada a profissionais de saúde da Atenção Primária (APS), gestores municipais e estudantes, a ação educacional destacou a importância de abordar a temática. Fernanda, que atua na área de Atenção Farmacêutica, Farmácia Clínica e Farmacoeconomia aplicada aos serviços clínicos, explicou que o impacto negativo, tanto clínico, como econômico e humanístico, é alto, “devido a vários motivos, desde o acesso rápido à internet e o acesso fácil a informações de saúde. Isso não é necessariamente ruim, pois o paciente precisa ter autonomia sobre a sua condição de saúde, precisa entender sobre o seu tratamento”.

Foto: Míriam Donald

De acordo com Fernanda o problema é quando o paciente vira o pivô do seu próprio diagnóstico, pois acaba assumindo consequências que não deveriam ser inerentes a ele. “Existem profissionais de saúde especializados para isso. Muitas das vezes, o paciente sequer consegue identificar se aquela fonte de informação é idônea ou não. Na maioria das vezes, o que achamos não é muito confiável, por isso precisamos ter cuidado. Além disso, é necessário que as prescrições em geral obedeçam a diretrizes clínicas, que são construídas levando em consideração o cuidado e segurança do paciente”, disse a pesquisadora.

Todo ano, cerca de 20 mil pessoas morrem como vítimas da automedicação, segundo informou Fernanda, durante a webpalestra. “Observamos as consequências do milagre em potes, em cápsulas, em medicamentos injetáveis, sem comprovação do efeito adequado, da eficácia. É um equipamento novo que não sabemos o que pode causar”. Quanto aos maiores desafios, a profissional apontou sobre a facilidade de acesso a esses fármacos, além da quantidade de informação na internet. “Mesmo que alguns medicamentos precisem de apresentação de receita, ainda há possibilidade de compra sem essa receita. Com a retenção dessa receita, essa situação ainda é bem fiscalizada, respeitada. Porém, ainda há a falsificação de alguns processos para tentar burlar esse sistema estabelecido”.

Foto: Míriam Donald

Para Fernanda há pacientes sem a devida noção das consequências e perigos, e alertas surgem quando a pessoa morre, quando a circunstância é mais drástica. “Uma morte causada por medicamento é muito mais difícil de diagnosticar, mais difícil de identificar que foi causada por excesso de medicamento. Por isso registramos dados preocupantes. Vale reforçar que isso não acontece somente no Brasil, mas no mundo inteiro. No Brasil, acaba sendo um pouco mais crítico, porque tem uma cultura envolvida”, ressaltou.

Outros fatores

É preciso conciliar necessidades terapêuticas com possibilidades de custeio para tomadas de decisão. Segundo Le Grand; Hogerzeil & Haaijer-Ruskamp (1999), “o uso irracional de medicamentos é um importante problema de saúde pública em todo o mundo, com grandes consequências econômicas”.

A estimativa de custo anual de morbidade e mortalidade relacionadas a medicamentos prescritos resultantes de terapia medicamentosa não otimizada foi de US$ 528,4 bilhões em dólares americanos de 2016, equivalente a 16% do total de gastos com saúde. O custo médio de um indivíduo com falha de tratamento foi de US$ 2.481.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) “existe uso racional quando os pacientes recebem os medicamentos apropriados à sua condição clínica, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um tempo adequado e ao menor custo possível para eles e sua comunidade”.

Criado para alertar a população quanto aos riscos à saúde causados pela automedicação, o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos também tem o objetivo é ressaltar o papel do uso indiscriminado de medicamentos e a automedicação como principais responsáveis pelos altos índices de intoxicação por medicamentos.

 

 

Profissionais da assistência são capacitados sobre Protocolo Clínico das Arboviroses

Foto: Guilherme Gouy

Devido ao aumento de casos de arboviroses – Dengue, Chikungunya e Zika Vírus – em todo o país e em Sergipe, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), realizou, nesta segunda-feira, 02, uma webpalestra sobre “Atualização do Protocolo Clínico das Arboviroses”, voltada a médicos(as) e enfermeiros(as) das unidades de Atenção Primária à Saúde (APS), hospitais e coordenadores municipais de Vigilância Epidemiológica e Atenção Primária. Ministrada pelo diretor de Vigilância em Vigilância Epidemiológica da SES e médico infectologista, Marco Aurélio Góes, a ação teve foco na conduta ao atendimento desses casos, para identificar fatores de risco para agravamento.

As arboviroses são transmitidas pelo Aedes aegypti. De acordo com Marco Aurélio, a dengue é uma doença que, se não for adequadamente identificada e os sinais de alarme não forem percebidos pela população, pode gerar óbito. Já a chikungunya é uma doença que leva a uma cronicidade. “Há pessoas que têm a forma aguda da doença e depois passam a ter sequelas, como as artralgias. Já o zika vírus, que, apesar de clinicamente se apresentar como a doença mais leve, gera graves complicações quando a pessoa infectada está gestante, pois desenvolve a doença congênita e causada pelo zika vírus, que tem como característica principal a microcefalia”, disse.

O infectologista também explica que a abordagem também provoca uma grande questão: a prescrição adequada dos medicamentos para essas doenças. Na fase aguda, ela deve ter sua prescrição baseada em hidratação e uso de antitérmicos e energéticos. “Um outro ponto importante é a necessidade da notificação de casos. Se alguém tem um caso suspeito, é necessário notificar de imediato, para que as ações de controle também sejam feitas de forma célere, a gente consiga identificar os casos e evitar uma epidemia”.

O Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), realiza a sorologia para esses vírus, assim como o do RT-PCR para os cinco primeiros dias de doença. “É importante que os primeiros casos, os casos que surgem nos municípios, sejam imediatamente notificados, e que essas pessoas tenham seus exames coletados. Daí identificamos que tipo de vírus está circulando. No caso da dengue, que sorotipo está circulando”, pontuou.

Conteúdo

Entre os conteúdos abordados na webpalestra, estiveram: conceitos básicos sobre arbovírus; circulação simultânea de arbovírus no Brasil; curva epidêmica nos casos prováveis de dengue, chikungunya e zika vírus por semanas epidemiológicas de início de sintomas (Brasil – 2021 e 2022); Número de casos prováveis com percentual de variação e taxa de incidência (/100 mil hab.) de dengue, chikungunya e zika, até a Semana Epidemiológica 13 (Sergipe – 2021 e 2022); Recomendações para os serviços e profissionais de saúde para melhoria da qualidade da informação sobre as arboviroses; principais questões clínicas detectadas; e principais diferenças.

Também foi abordado sobre cronologia dos sinais e sintomas; fases clínicas e formas de evolução; forma graves da dengue; atendimento de casos suspeitos de dengue; classificação de risco; diagnóstico etiológico; Febre do Chikungunya e espectro clínico; manifestações clínicas; doença subaguda e crônica; RN das mães infectadas; Chikungunya em RN; quadros graves; tratamento; suscetibilidade e imunidade ao vírus Zika; casos sintomáticos; aspectos clínicos; diagnóstico específico; e arbovírus associados com doenças neurológicas.

 

 

Tele-educação aborda desafios no controle e prevenção da esquistossomose pós-pandemia

Foto: Guilherme Gouy

A esquistossomose está entre as doenças parasitárias de maior prevalência mundial. De acordo com relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), essa parasitose pertence ao grupo de doenças tropicais negligenciadas, com quase 240 milhões de pessoas no mundo necessitando de tratamento. Para abordar a temática junto a profissionais e acadêmicos da área de saúde, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde, através da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), realizou, nesta sexta-feira, 29, uma tele-educação sobre “Desafios no Controle e Prevenção da Esquistossomose Pós-Pandemia”.

A “Avaliação epidemiológica e desafios no controle da esquistossomose nos municípios endêmicos no Estado de Sergipe” foi uma das temáticas abordadas na tele-educação. A professora doutora e mestre em Parasitologia, que atua no Laboratório de Entomologia e Parasitologia do Departamento de Morfologia do Centro de Ciências da Saúde/UFS, Luciene Barbosa, apresentou dados do PCE fornecidos pela SES, através do Núcleo de Endemias. Em Sergipe, no período de 2011 a 2021, foram registrados mais de 31.700 casos.

O levantamento mostra que a transmissão é endêmica em 51 dos 75 municípios. De acordo com o Inquérito Nacional de Prevalência da Esquistossomose mansoni e Geohelmintos (INPEG 2010-2015), em um total de 10.302 examinados em Sergipe, 8,19% estavam positivos – índice bastante superior ao percentual médio de positivos na região Nordeste, que registrou 1,27% de um total de 111.606 examinados.

Segundo Luciene, os dados estão aquém da realidade, mesmo antes da pandemia, fato demonstrado pelo baixo número de municípios trabalhados, sendo que o ano em que atingiu-se mais municípios foi 2011, com 45. “Nos outros anos, os números continuaram baixos e, em 2020 e 2021, período da pandemia, a situação piorou, o que é compreensível. Há muitas pessoas precisando de tratamento e que se recusam a tomar o medicamento, pois esse pode ter algum efeito colateral. Também existe a questão da distância, tanto entre municípios, quanto dentro dos próprios municípios, devido a povoados mais distantes da sede. Acredita-se que, neste caso, seja devido à falta de recursos materiais”, explicou.

A professora ressaltou que o constante deslocamento da força de trabalho para outras endemias é igualmente uma questão impactante. Ao analisar outras parasitoses que também são identificadas no exame Kato-Katz (ascaridíase, ancilostomídeos, teníase) observa-se que, apesar de baixos índices, são apenas indicativos, mas não número reais, pois o exame não é o melhor identificador para essas parasitoses. “Chega-se, então, ao grande problema, que é a falta de saneamento básico em Sergipe. Constata-se da mesma forma que não há registros malacológicos no Estado. Concluindo, acredita-se estar ainda caminhando vagarosamente nesse sentido e, somente a educação, conscientizando as pessoas a pequenas mudanças, é que ao longo do tempo haverá mudanças de hábitos, como não defecar no chão, reconhecer o caramujo, tratar o doente”.

Para Luciene, o caminho para a solução, além da educação em saúde, passa por aumento da cobertura do saneamento básico, a fim de promover destino adequado para os dejetos, “diminuindo o risco de contaminação de coleções hídricas e investimentos em recursos estruturais e humanos, como capacitação do quadro de funcionários e recursos materiais para executarem adequadamente o serviço, como meios de deslocamento, computadores, microscópios, material para coleta e realização de exames”, destacou.

A gerente do Núcleo de Endemias da Diretoria de Vigilância em Saúde da SES e especialista em Vigilância de Surto, Sidney Sá, afirmou que falar sobre esquistossomose no estado de Sergipe é bastante pertinente porque Sergipe é considerado endêmico para essa doença, ou seja, de alta prevalência. “Nossa população está carente da assistência para o tratamento da esquistossomose. Isso não quer dizer que eles não tenham acesso ao tratamento. Eles têm acesso ao tratamento, mas é importante conversar mais, dialogar mais com a população a respeito dos riscos que eles correm contraindo a doença”, afirmou Sidney.

Ainda de acordo com Sidney, é necessário falar sobre os cuidados que a população deve ter para evitar a equistossomose. “O tratamento existe e é disponibilizado pelo Governo Federal, que disponibiliza para todos os municípios, mediante a solicitação. O tema que abordamos hoje é extremamente importante e deve ser abordado com mais frequência no nosso Estado”, disse.

Outros panoramas

A ação também contou com a palestra do doutor e mestre em Parasitologia/UFMG, pós-doutor, professor da UFC e orientador dos programas de Pós-graduação em Patologia e Ciências Médicas da Faculdade de Medicina da UFC, Fernando Schemelzer, que apresentou um panorama dos dados gerais da esquistossomose no mundo e no Brasil. A estimativa é de 143,8 milhões de pessoas infectadas, com maioria na África. Nas Américas – Brasil – são 95% das infecções. O professor Também abordou sobre transmissão e fatores que contribuem para essa transmissão; epidemiologia e controle da esquistossomose Mansoni – hospedeiros intermediários; dermatite cercariana; hepatoesplenoamegalia e ascite; e distribuição das espécies de schistosoma no mundo.

Também foi abordado a distribuição de esquistossomose no Brasil, segundo a endemicidade e segundo a média de positividade; distribuição da esquistossomose em Sergipe; e o Plano de ação para o enfrentamento da esquistossomose e das geo-helmintíases. Na oportunidade, a doutora em Saúde Pública, mestre em Patologia e farmacêutica do Laboratório de Parasitologia e Biologia de Moluscos no Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas/UFC, Marta Cristhiany C. Pinheiro, ministrou palestra com abordagem sobre o Sistema de Vigilância da Esquistossomose; como identificar riscos e vulnerabilidades no território; e o Modelo Lógico do PCE (Programa de Controle da Esquistossomose).

A pesquisadora também apresentou a síntese de um projeto de pesquisa sobre o “Controle da Esquistossomose em municípios cearenses envolvidos na integração do Rio São Francisco”; e o projeto de extensão “Capacitação de Profissionais do SUS em ações de Vigilância e Controle de doenças tropicais negligenciadas em áreas da transposição do Rio São Francisco no Ceará”.

 

Gestores da Funesa se reúnem para avaliar e discutir Planejamento Estratégico 2022

Foto: Guilherme Gouy

A Fundação Estadual de Saúde (Funesa) reuniu, na segunda-feira, 16, gestores e demais referências da instituição para discutir o Planejamento Estratégico da Fundação e alinhar a agenda de oficinas para 2022. Na oportunidade, os setores (coordenações/gerências/assessorias) apresentaram o trabalho realizado em 2021, com foco no que foi realizado e o que não foi alcançado. Responsável pela ação, a Assessoria de Gestão e Planejamento (Agplan), juntamente à Diretoria Geral, contextualizou a situação do ocorrido em 2021 até o momento, além de apresentar as ferramentas e métodos a serem utilizados.

A responsável técnica em Gestão em Saúde Pública da Agplan/Funesa, Soraya Dantas, explicou que o planejamento é dinâmico e que cada setor, durante um dia inteiro, fará uma imersão para planejar 2022. “Esse resgate foi positivo. Ao fazer esse olhar para dificuldades e do que foi alcançado, fica mais factível planejar para 2022. Esse acompanhamento mais próximo que a Agplan fará junto a cada coordenação para monitorar, dar esse suporte, viabiliza o fluxo do trabalho e garante que os processos não travem”.

Foto: Míriam Donald

Para a diretora geral da Funesa, Lavínia Aragão, a agenda de planejamento estratégico é realizada na perspectiva de avaliar o percurso até o momento, bem como planejar as estratégias e os processos de trabalho para o ano de 2022, em pleno alinhamento com o planejamento de Governo, com os outros instrumentos de gestão e planejamento do Estado e com o próprio plano anual atividades e contratos de serviço. “É o momento onde a gente olha, a gente avalia o que já foi feito até o momento. Colocamos a trajetória em perspectiva, planejamos a necessidade de organização dos nossos processos para que a gente consiga atingir nossas metas e objetivos para o ano de 2022”, ressaltou.

 

 

 

População de N. Sra. da Glória recebe Centro de Especialidades Odontológicas reformado e ampliado

Foto: Ricardo Pinho

Paciente do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) de N. Sra. da Glória desde 2017, Juracir de Santana relatou sua experiência enquanto usuário da unidade, com tratamento de periodontia.  Ele diz ter se surpreendido. “Sem dúvidas é um serviço 100%. Recebi um ótimo tratamento e saí muito satisfeito. Espero que esse trabalho continue e evolua, com uma população cada vez melhor assistida”. Agora, a população de Glória e região – alto sertão – conta com um novo CEO estadual,  Reinaugurado nesta sexta-feira, 11, pelo Governo de Sergipe. O CEO José Souza (Zé Dentista) é um equipamento que oferta atendimento a pessoas com deficiência, periodontia, endodontia, diagnóstico bucal com ênfase na detecção do câncer de boca e cirurgia oral menor dos tecidos moles e duros.

Administrada pela Fundação Estadual de Saúde (Funesa), com suporte da Secretaria de Estado da Saúde (SES), a unidade, que tem nove anos de funcionamento, foi reestruturada com investimento de cerca de R$ 479 mil. Oferta do SUS para os cidadãos, através do programa federal Brasil Sorridente, os CEOs atuam com serviços odontológicos de média complexidade. Com tratamento iniciado em fevereiro, a paciente Manuela disse estar satisfeita. “Passei por uma cirurgia no siso e gostei muito do atendimento, de como fui recepcionada até o dentista. A recuperação foi excelente. Quando tinha alguma dúvida, sempre estava em contato com o dentista, pois ele se esteve disponível para ajudar no processo de recuperação. É uma equipe muito atenciosa e comprometida com a função que exerce. Gratidão a  todos”, ressaltou.

Foto: Ricardo Pinho

A unidade teve a estrutura aprimorada com o objetivo de qualificar o atendimento aos usuários e fortalecer o serviço ofertado. Iniciada como CEO tipo II – com oferta de quatro consultórios odontológicos, a unidade passa a ser o segundo CEO estadual do tipo III, com sete consultórios odontológicos. Com a ampliação, o CEO atenderá a demanda regional, que envolve os municípios de N. Sra. da Glória, Feira Nova, Gararu, Graccho Cardoso, Itabi, Monte Alegre, Nossa Senhora Aparecida, Poço Redondo, Porto da Folha e São Miguel do Aleixo.

Para a secretária de Estado da Saúde, Mércia Feitosa, a ampliação da oferta de serviços e da capacidade instalada é fundamental. “É uma área extensa, onde a gente tem as peculiaridades da região, de todo o território da região de Glória, no Alto Sertão, um serviço especializado que a gente sabe que tem uma grande necessidade e que tem articulação com a Atenção Primária e a Atenção Especializada. A política de ter o CEO descentralizado é uma política com o olhar ampliado para o SUS. É traçar um plano de saúde vivenciado e pensando nas necessidades da população e nos vazios assistenciais”, ressaltou a secretária.

De acordo com a diretora geral da Funesa, Lavínia Aragão, essa reestruturação demonstra o compromisso do Governo no sentido de fortalecer o acesso a um serviço especializado e da  Política Estadual de Atenção à Saúde Bucal. “A gente costuma dizer que a saúde começa pela boca e ela é uma saúde pela boca especializada. Esse CEO está bonito, tecnológico, porque está com os equipamentos de ponta da odontologia. Além disso, está com ambiente e acolhimento necessários para que a gente implemente ainda mais serviços de excelência, que já eram prestados pelo CEO de N. Sra. da Glória. Então ficamos felizes com o fortalecimento da rede estadual de saúde e com o serviço que a gente entrega à população, com essa execelência”, destacou.

Foto: Eduardo Andrade

A gestora também afirma: “Lembro sempre do governador, da vice-governadora, nos cobrando para que cada vez mais a gente cumprisse o nosso papel, a nossa missão, que é trabalhar para que esses serviços sejam ampliados e a população tenha um atendimento digno, humanizado. A gente tem tudo de melhor do ponto de vista dos equipamentos”, disse Lavínia Aragão.

Durante o evento, a prefeita de N. Sra. da Glória, Luana Oliveira, agradeceu ao governo do Estado pelo suporte. “Esse centro traz mais qualidade para nossa população e mostra, de fato, que o SUS (Sistema Único de Saúde) é um sistema que funciona e que oferta atenção e qualidade de vida a toda população. Creio que, além de nós, todos aqueles do Alto Sertão, estão felizes por essa ampliação e esse atendimento aqui na cidade de Glória, que atenderá à população de nossa cidade e a dos municípios vizinhos”.

No evento estiveram presentes, representando o governador do Estado, Belivaldo Chagas, a secretária de Estado da Saúde, Mércia Feitosa; a vice-governadora, Eliane Aquino; a diretora geral da Funesa, Lavínia Aragão; a prefeita de N. Sra. da Glória, Luana Oliveira; o filho do homenageado pelo CEO José Souza, José Armando Souza; o deputado federal Fábio Mitidieri; o deputado federal Fábio Reis; o deputado estadual Adailton Martins; o ex-governador Jackson Barreto, dentre outros gestores e profissionais.

Foto: Ricardo Pinho

Estrutura

A unidade de N. Sra. da Glória conta com sete consultórios totalmente equipados; recepção; sala da gerência, duas salas de arquivo; almoxarifado; depósito de materiais de limpeza; sala de lavagem; sala de esterilização; copa; e seis banheiros. O CEO também possui cadeiras odontológicas com revestimento em couro de alta densidade, seladora automática, ultrassom portátil e fixa, estabilizador Godoy, aparelhos de radiografias intra-oral, motor para instrumentação rotatório e reciprocante e Aparelho Localizador Apical Eletrônico.

Já a equipe é formada por cirurgiões-dentistas, nove auxiliares em Saúde Bucal, gerente, dois assistentes administrativos, recepcionista, dois auxiliares em serviços gerais e vigilante patrimonial.

Em setembro de 2021, o governo do Estado entregou a reforma do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) ‘João de Andrade Garcez’ em São Cristóvão. O investimento foi na ordem de R$ 390.223,75. Em agosto do mesmo ano, entregou a reforma do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) Roque Almeida de Oliveira, em Laranjeiras. O Centro, que atende usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de parte dos municípios da região, foi reestruturado com investimentos na ordem de R$ 184.934,04.

Ao todo, são oito unidades dos CEOs – localizadas em Boquim; Capela; Laranjeiras; N. Sra. da Glória; Propriá; São Cristóvão; Simão Dias; e Tobias Barreto – que ofertam serviços de média complexidade nas áreas de Periodontia, Endodontia, Cirurgia Bucomaxilofacial, atendimento a pessoas com necessidades especiais, diagnóstico bucal com ênfase no diagnóstico do câncer de boca e cirurgia oral. Esse trabalho representa uma das frentes de atuação do ‘Brasil Sorridente’, programa federal de oferta do SUS para os cidadãos. Em Sergipe, a escolha pelos centros regionalizados, geridos pela SES, por meio da Funesa, foi uma iniciativa do governo estadual para assegurar que os municípios que não possuem CEO municipal pudessem ter acesso a esses serviços.

Além desses serviços, os Centros também contam com a garantia de exames complementares como radiografias periapicais, interproximais, oclusais, panorâmicas e exames anatomopatológicos para o corretor diagnóstico e tratamento da saúde bucal. Se o paciente for diagnosticado com outras necessidades, a exemplo do câncer de boca ou tratamento de alta complexidade, ele é encaminhado para a rede hospitalar. Na rede hospitalar, os atendimentos odontológicos são realizados no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), Hospital Regional de Itabaiana e Hospital Universitário (HU).

 

 

Mesa Redonda aborda Cuidados na Prevenção da LER/DORT

Foto: Ricardo Pinho

Em alusão ao Dia Mundial de Combate às LER/DORT (Lesão por Esforço Repetitivo e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) – em 28 de fevereiro, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), através da Coordenação de Educação Permanente em Saúde, realizou uma Mesa Redonda com o objetivo de sensibilizar trabalhadores, empregadores e sindicatos sobre a importância da prevenção das doenças. A ação também foi voltada a fisioterapeutas, odontólogos, bancários, enfermeiros, profissionais de telemarketing, correios, entre outros.

A área de Vigilância em Saúde do Trabalhador entende que esse é um tema muito importante e atual, sobretudo com dois anos de pandemia da covid-19, quando trabalhadores precisaram trabalhar na modalidade home office. De acordo com a gerente de Vigilância em Saúde do Trabalhador da SES e referência técnica da ação, Cristina S. de Andrade Hora, é necessário atenção aos dados do sistema de informação que comprovem casos, além de conscientizar trabalhadores/profissionais de saúde e trabalhadores em geral. “Conscientizar da importância, do nexo, da relação com o trabalho, da doença relacionada ao trabalho, da notificação, sobretudo para que a gente trabalhe as políticas públicas relacionadas à doença. Nos últimos dois anos, na condição de pandemia, tivemos apenas quinze notificações de casos relacionados ao trabalho”, disse.

Foto: Ricardo Pinho

O fisioterapeuta Maurício L. Poderoso Neto explanou sobre conceitos que envolvem a LER e a DORT, e o que causa as DORTs, ideologia multifatorial e insidiosa que tem maior prevalência em sintomas de membro superior. “Os sintomas são: sensação de peso, fadiga, parestesia e principalmente dor. As principais reclamações, principais queixas que os pacientes chegam ao consultório são tendinites e bursites, muito associadas ao membro superior. A tendinite do supra-espinhoso, bursite subacromial e as afecções da coluna vertebral, sejam dores cervicais ou dores lombares, que acredito ser a ampla procura da fisioterapia para a patologia das DORTs”.

Maurício afirma que, de forma geral, a DORT se torna crônica para a grande maioria dos pacientes, e que a abordagem do processo terapêutico como um todo deixa de ser puramente biomecânico, apenas sobre os tecidos que estão afetados, para ser uma abordagem mais multifatorial em cima da pessoa e não só da patologia. “Isso ocorre porque os pacientes apresentam um quadro de depressão, limitação e incapacidade para o trabalho, comprometimento em suas atividades de vida diária. Esses fatores comprometem o sono e o humor, o que gera, inclusive, a possibilidade de uma baixa autoestima e depressão”.

Além da avaliação mecânica, biomecânica e fisioterapêutica, o profissional informou que também há necessidade de uma intervenção médica para fazer as melhores indicações medicamentosas, sejam locais ou de efeito central. Na maioria dos pacientes é preciso um tratamento acompanhado por psicólogo, por envolver questões biopsicossociais. “Clinicamente também são encontradas muitas afecções no trato gastrointestinal nos pacientes crônicos, que necessitam de um acompanhamento nutricional. Dessa forma, há melhora na qualidade de vida, na prática da atividade física regular, controle de peso. Se tiverem patologias crônicas sociais, como diabetes e hipertensão, a gente precisa estar ciente e fazer abordagens de forma geral”, frisou Maurício.

Foto: Ricardo Pinho

Multidisciplinaridade

Para o médico ortopedista Washington Batista a LER/DORT é um mundo de informação, daí a discussão focou nos principais casos, principalmente nos centros urbanos, que em aproximadamente 90% dos casos acometem a coluna, punhos e mãos dos pacientes que estão em regime de trabalho home office e que atuam na rede hospitalar de saúde. “São movimentos complexos, onde todo o corpo é prejudicado. Abordamos o viés social de que nem sempre a lesão é acompanhada de rastro em exame de imagem ou de laboratório. Às vezes não há indícios, mas uma questão clínica mesmo”, explicou.

O ortopedista também destacou sobre a conotação social, conotação psicológica, o exame clínico durante o diálogo com o paciente. “Conseguimos enxergar por outra ótica, como a visão fisioterapia, da psicologia, da terapia ocupacional, da legal. Foi uma discussão muito produtiva e espero que esse debate exista em outras oportunidades, além de uma sensibilidade por colegas médicos do trabalho nas empresas, quanto dos peritos médicos, para entendermos que há pessoas que não buscam ajuda, mas muitos têm lesão e precisam de acolhimento e acompanhamento”.

Foto: Ricardo Pinho

Maurício L. Poderoso Neto acredita que, através dessas discussões, da troca de saberes e conhecimento entre profissionais, gestores e população, é possível direcionar recursos, o olhar, e melhorar a abordagem. “Por isso a gente precisa cada vez mais discutir, alinhar os percursos. Há alguns séculos já existia LER, especificamente por movimentos repetitivos. A partir dessa condição havia a indicação de adequação de mobília, ginástica, repouso. Atualmente sabe-se que essas estratégias mais passivas não trazem o efeito desejado e necessário para que essa pessoa saia desse quadro como um todo. Então, a partir dessas discussões, a evolução da ciência, há melhores resultados”.

Ainda de acordo com Cristina, o trabalho é desafiador e a discussão enriquece quando há várias  áreas envolvidas, a exemplo da abordagem feita pelo psicólogo do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest)/SES, Elder Magno Freitas, que discorreu sobre a LER/DORT sob a perspectiva da Saúde do Trabalhador, além de transtorno mental relacionado ao trabalho. “São doenças registradas no sistema de informação do Ministério da Saúde, inclusive pouco notificadas. É um trabalho de formiguinha, praticamente de educação continuada, mas que é importante fazermos isso nos próximos anos e aproveitar a data alusiva. Entendemos ser fundamental o engajamento de diversos setores. Por isso convidamos diversas categorias, sindicatos, conselhos de classe, nossos trabalhadores e profissionais do município, setores de vigilância epidemiológica, coordenação da Atenção Primária à saúde, etc”, ressaltou a gerente.

 

 

Saúde Estadual discute obstáculos e avanços do PlanificaSUS junto aos municípios

Foto: Míriam Donald

A Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), realizou nesta terça-feira, 08, uma reunião de colegiado do grupo condutor do Programa PlanificaSUS, agenda voltada a gestores da região de Lagarto e Itabaiana, onde o programa é implementado. Durante a ação, foi realizada uma oficina de planejamento onde os gestores (as) discutiram a atual situação do programa, as principais dificuldades, avanços e alternativas para solucionar os obstáculos.

A coordenadora estadual de Atenção Primária à Saúde (APS) e referência técnica do PlanificaSUS, Fernanda Barreto, explicou que a Saúde Estadual convidou os(as) secretários(as) de Saúde que compõe as duas regiões que estão no projeto, junto às suas referências técnicas municipais, para discutir o andamento das ações. “Abordamos pautas importantes para que a gente consiga avançar com o Planifica SUS nos territórios. Lançamos o cronograma das novas etapas e vamos discutir a situação dos ambulatórios de Atenção Especializada em Lagarto e Itabaiana, assim como discutimos o perfil e a necessidade de atuação do gestor municipal, das referências técnicas e dos tutores nos municípios”.

Foto: Míriam Donald

Para o secretário adjunto de Lagarto, Joacir Souza Santos, o Planifica SUS é um projeto muito importante porque tem embasamento de atores como o Cosems e o Hospital Albert Einstein, além de experiências de diversos municípios do país “que garante e proporciona a segurança de que, implementando o Planifica adequadamente, é possível obter resultados a médio prazo. Quando trabalhamos com prevenção, podemos otimizar custos, tempo, fluxo de trabalho, engajamento de equipes, ou seja, o todo que se soma. Ressalto que é um processo muito importante para Lagarto”, disse.

Presente na agenda, a representante do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) e coordenadora do projeto Rede Colaborativa do SUS, Eliosônia Moura, afirma que a agenda é bastante significativa para os municípios. “O Cosems congrega e apoia os municípios nessas decisões, para que um bom trabalho seja realizado. O Planifica é um projeto de grande importância, que visa a integração desse cuidado na Atenção Primária, com especialidades, com a busca da continuidade da rede, na comunicação entre as redes, para que o serviço no SUS seja fortalecido. Por isso temos esse objetivo constante de estar ao lado do município, para agregar e somar nessa participação”.

Foto: Míriam Donald

De acordo com o diretor de Atenção Primária à Saúde da SES, João Paulo Brito, a SES conseguiu grandes avanços na implementação do programa, mas há dificuldades em superar algumas barreiras. “São barreiras históricas que já esperávamos que o programa identificasse. Somando os esforços já feitos anteriormente com novos esforços, com as novas estratégias que vêm sendo construídas, pretendemos superar esses desafios e chegar nas próximas etapas do PlanificaSUS de uma forma melhor e mais afinada”, destacou.

 

 

 

 

Última atualização: 8 de março de 2022 21:51




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