Educadores do EdPopSUS avaliam experiências e resultados do trabalho em campo

Após a capacitação pedagógica para o Curso de Aperfeiçoamento em Educação Popular em Saúde (EdPopSUS), ocorrido em novembro de 2019, os educadores qualificados para conduzir o curso reuniram-se nesta segunda-feira, 27, na Fundação Estadual de Saúde (Funesa), para fazer uma avaliação de Educação Permanente das turmas, experiências e resultados com educação popular em saúde nos municípios sergipanos. A capacitação é fruto de uma parceria entre a Funesa e a Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio de convênio celebrado com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz, Movimento Popular de Saúde (MOPS) e a Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde (Aneps). Articulado com a Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEP-SUS), a iniciativa ocorre a partir de solicitações feitas pelas Secretarias Municipais de Saúde.

Assistente social do Núcleo de Apoio à Saúde da Família – NASF de Itabaiana e educadora do EdPopSUS, Viviane de Oliveira relatou que teve a oportunidade de participar como educanda, ter essa proximidade com o EdPopSUS e entender mais sobre Educação Popular em Saúde. “A partir dessa experiência surgiu o convite da gestora para que fizéssemos essa capacitação como educador(a) e multiplicássemos o conhecimento no município. Para mim está sendo uma experiência bastante enriquecedora. Não imaginei que me tornaria educadora, embora tenha me identificado bastante, pois é algo que faz parte da minha prática no dia a dia da comunidade, então eu enxergava a necessidade que Itabaiana fizesse essa ampliação. Hoje nós temos três equipes de saúde sendo capacitadas”.

Ainda de acordo com Viviane, o trabalho permite a abertura dos horizontes, onde é possível sair da nossa zona de conforto e começar a entender mais a importância de valorizar os saberes populares, de se fazer mais presente na comunidade, respeitando o conhecimento que ela tem. “É um momento para estarmos aprendendo a incorporar isso em nossas práticas. Estamos nos primeiros passos, indo para o sétimo encontro de turmas em Itabaiana, mas alguns trabalhos de campo já foram realizados e estamos conseguindo viver na prática aquilo que estudamos nos livros. Estivemos aqui hoje para aparar as arestas, perceber como estamos no processo, o que pode ser aprimorado, o que pode ser reproduzido de outro município”, declarou.

Agente comunitária de saúde da Barra dos Coqueiros, Glícia da Silva afirma que a turma da Barra é bem diversificada, então é preciso mostrar à comunidade como é, de fato, o serviço dos agentes. “Como o material do curso foi desenvolvido, a princípio, para o público dos agentes, conseguimos mostrar à população de que forma atuamos, pois muitos não conhecem ou tinham/têm uma visão um pouco equivocada. Conseguimos dividir as experiências do dia a dia e a população realmente consegue entender o quão é significativo o trabalho do agente de saúde dentro da comunidade. Além disso, também levamos essas experiências e vivências do que foi abordado para suas respectivas realidades de trabalho. Dessa forma estamos conseguindo alcançar nossos objetivos”.

Segundo a coordenadora do Movimento Popular de Saúde de Sergipe – MOPS e apoiadora do EdPopSUS, Simone Leite, a avaliação foi bastante positiva e as turmas estão progredindo, cada uma a seu ritmo. “Observamos quais turmas podemos acompanhar mais de perto, via gestão do município. Percebemos que, quando o gestor participa mais ativamente e tem uma relação próxima aos educadores, o trabalho flui melhor. As condições de trabalho são outras, a exemplo dos locais para fazer os momentos presenciais e a interação do curso com o que está sendo planejado no Município. Podemos dizer que as turmas estão atuando muito bem e os educadores, que são voluntários, estão comprometidos. É uma proposta muita rica, que só fortalece o SUS, visto que os eixos que conduzem o EdPopSUS ajudam muito na Educação Permanente desses trabalhadores”, pontuou.

Executado em Sergipe desde 2013, o EdPopSUS qualifica as práticas educativas dos profissionais de saúde, agentes comunitários, agentes da vigilância em saúde e outros profissionais da Atenção Básica, além de integrantes de movimentos sociais e lideranças comunitárias. O curso discute vários eixos, a exemplo do Controle Social, como fortalecer o SUS, como implantar a equidade como princípio do SUS, como resgatar o trabalho do agente comunitário, unidades de saúde e o SUS, o cuidado em saúde integral, a importância do trabalho no território, etc.

Para a coordenadora estadual do Curso de Aperfeiçoamento em Educação Popular em Saúde e diretora geral da Funesa, Lavínia Aragão, é com alegria que o grupo realiza esse momento de Educação Permanente dos educadores populares, com o objetivo de partilhar as experiências na realização desses primeiros encontros do curso, que é centralizado nos municípios. “É um momento onde eles compartilham as experiências, êxitos, dificuldades e estratégias encontradas pra superar possíveis dificuldades. É um momento onde alternativas são construídas coletivamente pra o constante fortalecimento das turmas e da própria Política de Educação Popular em Saúde em nosso Estado. Além disso, esses encontros possibilitam momentos de Educação Permanente propriamente dito, no aprofundamento de algumas temáticas trazidas pelos próprios educadores populares, como necessidade de constante qualificação pra sua prática junto às turmas e pautas são alinhadas para os encontros posteriores”, ressaltou.

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Última atualização: 27 de janeiro de 2020 19:47.




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