Roda de Conversa debate implantação de Práticas Integrativas no SUS

Encontro realizado na Funesa abordou a importância das Práticas atuarem como complemento aos tratamentos de saúde

“Eu me preocupo com a sua saúde do mesmo jeito que me preocupo com a minha”. É dessa forma que Rosemeire Barbosa, técnica em farmácia que participa do Movimento Popular de Saúde – MOPS há 10 anos define a essência das Práticas Integrativas e Complementaresna saúde pública. O tema foi debatido em uma Roda de Conversa na Fundação Estadual de Saúde (Funesa), onde integrantes do Movimento conversaram sobre a implantação dessa política no Sistema Único de Saúde (SUS).

Para Rosemeire, as Práticas Integrativas já é uma realidade, uma política nacional e de estado, mas que necessita ser levada aos municípios. O projeto, que já acontece campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS) de São Cristóvão está com implantação no campus de Lagarto. “É uma grande vantagem. Hoje não é apenas o medicamento que cura, mas as práticas integrativas também têm sua relevância. Os alunos da área de saúde já iniciam, desde o primeiro ciclo, sabendo que essa política têm seu valor.  O cuidador em saúde precisa saber que o chá tem seu princípio ativo, pode curar e é natural”, destacou.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que 80% da população brasileira usa plantas medicinais, mas é necessário atenção para saber de que forma as pessoas estão usando o tratamento alternativo. “Quando o MOPS entrou nesse confronto saudável, para orientar o uso da forma adequada, mostrou que essas práticas apresentam resultados. É difícil encontrarmos um caso de alguém que morreu por envenenamento de plantas. Muitas das vezes algumas pessoas ingerem a substância sem saber o seus efeitos, por isso entendemos a necessidade da capacitação. Atualmente, após vários cursos implantados, já podemos observar o saldo positivo desse trabalho”, disse Rosemeire.

Hoje, o objetivo do Movimento pretende avançar no campos dos Conselhos Municipais de Saúde e com as leis municipais. A dentista sanitarista Nara Oliveira faz parte do MOPS desde 2014 e atua no PSF de Laranjeiras, onde as práticas são inseridas de forma a sensibilizar a comunidade e os servidores. Ela contou que, a partir do momento que cada um foi se identificando com massagem, fitoterapia, acupuntura auricular, Reiki, etc, os recursos começaram a ser providenciados. “É muito importante capacitar os agentes comunitários de endemias, que tem contato direto com a população, a acolher e ter um olhar de educação para os saberes populares”.

Ainda de acordo com Nara Oliveira, com o projeto de extensão das UFS, os alunos vão aos municípios para serem multiplicadores. “É importante sensibilizar os gestores, de forma que essa política seja autossustentável. Com o projeto de extensão, os alunos vão aos municípios para serem multiplicadores. O foco é desenvolver saber científico em formação com a Universidade e levar às regionais, com o EdPopSUS, capacitando o agente e atraindo outros profissionais de saúde”, observou.

Complemento ao tratamento

Na roda de conversa, profissionais de saúde e adeptos do MOPS também abordaram sobre a necessidade da complementação das práticas ao tratamento de saúde, pois o profissional atua sendo o canal.  Os participantes entendem que, com a troca de saberes em um coletivo, os conhecimentos são potencializados e o SUS se fortalece.  Segundo o farmacêutico mineiro José Geraldo Martins, que conduziu o encontro, todos usam o SUS de alguma maneira, mas há uma parcela da população que depende mais desse sistema. Dos hospitais, médicos, medicamentos, entre outros benefícios.

“Enquanto cuidadores, temos um olhar afetuoso com essas pessoas e entendemos que é nosso papel levarmos essas técnicas para aliviar o sofrimento das mesmas, em caso de terem menos acesso ao tratamento de saúde gratuito. Nesse momento, as práticas integrativas, que têm potencial resolutivo, conseguem atender, principalmente, os estágios iniciais das patologias, evitando que o quadro se agrave”, informou José Geraldo.

Simone Leite, coordenadora do MOPS Sergipe, afirmou que os debates já vêm ocorrendo há algum tempo, pois há práticas antigas e com grande adesão. “Foi uma discussão muito rica. Dialogamos sobre o que cada um de nós pode fazer para sensibilizar gestores, trabalhadores e comunidade sobre a implantação das Práticas no SUS. Com esse debate, já nos preparamos para o Congresso Nacional de Práticas Integrativas, que acontecerá em novembro, no campus da UFS de Lagarto. Já estamos nos articulando para levar essa discussão aos municípios”.

A diretora-geral da Funesa, Lavínia Aragão, também marcou presença no evento e reforçou o apoio da Fundação ao Movimento. “Eu levo a Educação Popular comigo, pois só há razão se for assim. Acredito na concretização dessa discussão e a Fundação está aberta para auxiliar no que for preciso, incluindo a abertura das suas portas para sediar as reuniões. Aproveito o espaço para dizer que o secretário de Estado da Saúde, Dr. Valberto, é uma pessoa muito acessível, que ouve as necessidades. Acredito nessa parceria para a defesa desse fortalecimento”, declarou.

 

Assessoria de Comunicação Funesa

 

 

 

 

 

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Última atualização: 11 de agosto de 2021 10:30.




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